“Quando Sakiamuni saiu do Castelo deparou-se com o que chamou de 4 sofrimentos: nascimento, doença , velhice e morte.

Todos os outros sofrimentos derivariam destas.

A partir do momento que nascemos, parte já está morrendo. Um instante morre pra nascer o outro. E a vida só se manisfesta neste “ lindo exato e justo momento”.

Viver e penetrar no infinito traço perpendicular a essa linhada do tempo, nos une ao passado e ao futuro. Somos um hífen desta linha ou um ponto. Visto da grande pupila histórica, quase invisível. Mas existimos e essa diferença mínima importa

muito.

Podemos traçar um compasso do tamanho de nosso braço. Ser nítidos e presentes.

Encontrar o infinto em cada pedra que carregamos e em todos fios de barba que caem enquanto outro vai nascendo.

O homem que queria ser imortal morava na Terra do Nunca.

Já usou um lápis até o toco? A cada apontada se aproxima a sua extinção, mas tem que ferir o pobre querido com seu estilete afiado. Para até no útimo suspiro, imprimir um momento no papel. Mesmo que o risco seja o seu fim.

A presença da morte ,o cavalo leva pra um lugar desconhecido é o que nos mantém vivos!

É o que nos faz continuarmos plantando e cultivando. Aprendendo que, enquanto o broto se esforça pra cima, rompendo os limites da semente, as raízes penetram o solo nutrindo-se de decomposições.

Comemos esse feijão e ele vive em nós.

Inspiramos o jasmin e expiramos carbono.

A flor de lótus surge da lama. Podemos desenhar no preto com a pena branca.

Ao fim de uma viagem é bom voltar pra casa.

A primeira iluminação de Sakiamuni foi de que nada era permanente. E enquanto o homem depositasse a felicidade na estabilidade seria infeliz. Pois tudo se move, trasforma ou se finda. A única coisa que foje deste destino é o cultivo do espírito.

Desde então dedicou-se à busca da sabedoria como meio constante e não como um fim .

Uma das traduções do título do Sutra de Lotus é:

devotar a vida pra o bem da humanidade

Nada é impossível.

Tenho este corpo e o utilizarei até o último momento da minha vida.

Viver em paz, morrer em paz e deixar os outros serem felizes.”

.

Biba Rigo

14.03.2010

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Biba Rigo | nanquim
Kalou Droz | monotipia
Marina Faria | lápis de cor

Otávio Zani | guache e café

Pedro Pessoa | guache e pastel seco sobre papel reciclado azul

Rafael Kenji | guache
Samuel Ornelas | ecoline e nanquim
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